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Tacto

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Olhando pela janela, estão os 2 vidros abertos. Há espaço suficiente para o fumo do cigarro regressar para dentro do meu quarto. A noite, quadriculada pela estrutura da janela, é a minha vista. Ao fundo mas a meio da distância, 2 pássaros encontram-se no local habitual. É a árvore da esquerda, sempre iluminada. Só existem candeeiros deste lado. São todos da mesma altura mas a rua vai subindo até chegar ao meu prédio, o que os faz mentir em tamanho. É notável o desequilíbrio mas ao longo dos anos, fui sendo atraído e eventualmente, faço parte desta taciturna forma de ser.

Sendo que a passadeira é um local de segurança e de perigo mas sempre iluminada, pus também uma fonte luminosa na minha secretária, para que aponte para o que escrevo. Os meus dedos são piões anárquicos e é desafiante sinalizar a ordem com os meus pensamentos. Tenho o hábito odiável de roer as unhas, o que leva os meus dedos a andarem sempre descalços.