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(sem título)

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Um poema não termina
Os sonhos nunca morrem
Mas o tempo pouco dura
No escuro desta desordem

Porque escondo as palavras
Da luz da consciência?
De que serve sentir medo
Do que é a minha essência?

Não há melhor presente
Do que a paz comigo próprio
De que serve esta batalha
Que termina em sangue e ódio?

Com tanto pela frente
Para quê olhar para trás?
Para que entregar os dias
A esta noite que nada traz?

De que vale essa preguiça
De escrever sem direcção
São as palavras que nos guiam!
E tu perdido na escuridão

De que vale a Natureza
Se não guardas o rebanho?
De que valem os teus gritos
Se não escutas o engenho?

De que vale não querer ser nada
Sem saber como ser tudo
De que vale querer ser tanto
Se nem ao pouco sei dar uso?

Para que palavras caras
Se lhes tiras o emprego?
De que valem as ideias
Se não vivem em sossego?

De que vale sentir saudade
Sem saber o que é ao certo
Esse tempo conjugado
Num verbo que não conhece

A escolha é sempre minha
E tudo se transforma
Pode ser que chegue o dia
Em que rime a minha prosa!

Há de chegar o dia
Em que rime a minha prosa